TROVADORES BRASILEIROS

PEDRO ORNELLAS




PEDRO ORNELLAS nasceu em Marialva, estado do Paraná, em 26 de maio de 1951, mas reside em São Paulo desde 1974. Casado com Iza Maia de Ornellas, é pai de Regiane e Reginaldo. Poeta de múltiplas facetas, dedica-se ao soneto, à trova e ao haicai, além de magníficas incursões pela música raiz, como letrista e compositor. Possui dois CDs lançados em parceria com Campos Sales, com quem forma a dupla "Os Trovadores do Campo".  É reconhecido como um dos dez maiores trovadores vivos do Brasil, com dois títulos de "Magnífico Trovador" em Friburgo, em lirismo e em humorismo. Seus textos podem ser lidos  em http://www.recantodasletras.com.br/autores/pedroornellas e suas canções pode ser ouvidas em http://trovadoresdocampos.palcomp3.com.br. 

Seu blog é www.vivatrova.blogspot.com.


PEDAÇOS

Os versos esparsos que eu fui rabiscando
são simples amostra da mágoa sentida...
pedaços de sonho que eu fui costurando,
lembranças que eu guardo da infância perdida!

São gritos calados que vão revelando
segredos guardados na mente sofrida...
espinhos e flores, ferindo e alegrando,
lições e valores - pedaços de vida !

É certo, o poeta também, vez em quando
supõe o que escreve e se perde sonhando,
confesso que às vezes também sou assim...

mas, via de regra, mais alto falando
é o meu coração quem assume o comando
e faz dos meus versos pedaços de mim!
************

A FIGUEIRA

Orgulho da casa de outrora, na frente,
altiva figueira, frondosa, se erguia...
seu porte soberbo me fez reverente
sem nunca supor que tombasse algum dia!

Mas num vendaval que se armou de repente,
partiu-se a figueira, e sem crer no que via,
então constatei que a gigante imponente
por dentro era podre e ninguém percebia!

Também muita gente que bem nos parece
perdendo valores por dentro apodrece
mantendo por fora a aparência altaneira.

Ilude algum tempo com falsa nobreza,
porém, cedo ou tarde, terá com certeza
o mesmo destino da velha figueira!
*********

I M A G E N S

O trilho, a casa, a fonte o pé de amora,
o pasto, a roça, as nuvens no horizonte...
a passarada festejando a aurora
e o sol fugindo, rubro, atrás do monte!

A casa, o trilho, o pé de amora, a fonte,
o quarto pobre onde eu sonhei outrora...
o atalho, a tulha, o terreirão defronte
- e esta saudade pela vida afora!

A fonte, o pé de amora, o trilho, a casa,
e a dor imensa que meu peito abrasa
crivado pelos dardos da lembrança...

O pé de amora, a fonte, a casa, o trilho,
imagens que eu guardei - doce estribilho
que me transporta aos tempos de criança!




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JOSÉ OUVERNEY





JOSÉ OUVERNEY, grande em todos os sentidos (sinto-me nanico quando conversamos), nasceu na encantadora cidade de Pindamonhangaba, SP, em 25 de março de 1949, filho de Gumercindo Ouverney e Antônia Maria de Jesus Ouverney. Seus ancestrais paternos eram de Nova Friburgo (RJ), cidade com a qual mantém estreitos laços. Escreve poesia desde criança e milita pela trova e sua divulgação desde  a década de 90. Por falar em trova, Nova Friburgo realiza o concurso de trovas mais antigo do Brasil (desde 1960) e Friburgo, além de berço dos seus ancestrais suíços, é a cidade que lhe concedeu o mais importante prêmio em trova: o título de Magnífico Trovador em 2008, após três vitórias consecutivas entre os 10 primeiros colocados, encerrando o ciclo com um perfeito primeiro lugar. É membro da União Brasileira de Trovadores (U.B.T.) - Seção de Pindamonhangaba e da Academia Pindamonhangabense de Letras. Tem dois filhos, José Ouverney Júnior e José Renato e uma neta, Emily. É casado com a simpaticíssima e muito querida Henriqueta Queiroz Ouverney, Musa, Companheira e grande incentivadora das "artes" do maridão. Dedica-se a diversas formas de poesia, com predileção pela trova e pelo soneto. Além de seus brilhantes trabalhos literários, sua mais destacada contribuição para a divulgação da poesia no Brasil é o site http://www.falandodetrova.com.br, veículo extraordinário que José mantém sem nenhuma ajuda externa e que tem sido o canal de comunicação e divulgação da trova.


NOSTALGIA

Desmaia a tarde e a sorrateira brisa,
varanda a dentro, lépida e frugal,
a beliscar meu peito sem camisa
vai desenhando um gesto sensual.

Em lenta despedida o sol desliza,
jorrando sangue sobre o bambual,
e a lua acende a lâmpada, indecisa,
tremeluzindo sobre o meu quintal.

Um pouco mais de espera e surge a noite:
a casa, de repente, tão vazia,
desperta a minha lúdica ansiedade;

e o beliscar da brisa vira açoite,
notadamente quando a nostalgia
bate no peito, e acorda esta saudade!...



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JOÃO FREIRE FILHO




Da esquerda para a direita: Maurício Cavalheiro (Pinda), 
José Ouverney (Pinda) e JOÃO FREIRE FILHO 


João Freire Filho nasceu no Rio de Janeiro em 29 de maio de 1941. Bacharel e licenciado em Letras pela Universidade do Brasil (atual UFRJ). Foi diretor do Colégio de Aplicação da Universidade, bem como seu professor de português no curso de Comunicação. Poeta, prosador, artista plástico, João Freire Filho tinha alma de artista. Dedicou-se com particular afinco e amor ao cultivo da trova, modalidade poética em que se tornou um mestre inigualável. Associou-se à União Brasileira de Trovadores - Seção Rio de Janeiro em 1979. Viria a tornar-se presidente daquela seção, da seção estadual e, por fim, presidente nacional da entidade. Aposentado da universidade, deu aulas de português e de redação como voluntário em cursinhos pré-vestibulares para jovens carentes, alcançando excelentes resultados. Após sofrer dois Acidentes Vasculares Cerebrais consecutivos e enfizema pulmonar, acabou deixando o magistério definitivamente. Ainda participou de alguns concursos de trovas e fez algumas viagens, contudo, cada vez mais fisicamente debilitado, acabou por se afastar totalmente das atividades culturais. 

Em 2007 lançou seu livro de trovas, contendo parte significativa de sua produção, "ENTRE ACHADOS E PERDIDOS". O último concurso de que participou foram os Jogos Florais de Bandeirantes em 2011, pelo qual nutria um carinho especial e fez questão que fosse sua despedida do mundo da trova. 

Sofreu outro Acidente Vascular Cerebral em julho deste ano e foi acometido de uma pneumonia. Internado, acabou desenvolvendo um quadro de septicemia e, ao sofrer outro AVC, não resistiu e faleceu em 06 de agosto deste ano. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Jardim da Saudade, em Mesquita, RJ. Todos que o conhecemos certamente sentiremos grande saudade deste poeta extraordinário. 

Fomos companheiros de quarto em Friburgo duas vezes e nos encontramos muitas vezes em outras festas da trova e em oportunidades que tive de visitar a UBT Rio de Janeiro. Sempre vou me lembrar de João Freire, até o dia em que chegar a minha vez.



TROVAS LÍRICAS E FILOSÓFICAS

01
Quem tem a luz do saber,
muito mais que outro qualquer,
tem de cumprir o dever
de ser luz... onde estiver!

02
Na vida, que te conduz
às mais diversas pelejas,    
se não puderes ser luz,
que, ao menos, sombra não sejas!

03
Sou criança e, de alma nua,
o sonho em minh'alma cresce...
E há ruas, na minha rua,
que só meu sonho conhece!

04
Distante do olhar das ruas,
num sonho que me enternece,
em nosso céu brilham luas                  
que só nosso amor conhece!...

05
Se pregas o bem fecundo,
cuidado! Modera o tom...
Não é com gritos que o mundo          
há de aprender a ser bom!

06
Se a Terra vive em conflitos ,
sangrando, de guerra em guerra ,   
é com voz branda... e não gritos ...
que se há de ter Paz na Terra!

07
Não carrego esse profundo
receio, próprio de ateus:
se eu creio no fim do mundo,
então... eu não creio em Deus!

08
Liberdade - sentinela
da Paz, em qualquer lugar!
E quem não lutar por ela...
não tem mais por que lutar!

09
Nenhuma busca é perdida
quando um sonho nos embala:
- Felicidade, na vida,
também consiste em buscá-la!

10
A saudade é dependência...
É meu vício, em tal medida,
que você se fez a ausência
mais presente em minha vida!

11
Hoje, em meu leito, sem ela,
enquanto resisto ao sono,
a Saudade é sentinela...
dando plantão... no abandono!

12
Imperfeito, eu rogo, aflito,
por nosso amor, que é perfeito:
- Não faças de mim um mito...
que mitos não têm defeito!

13
Lembro a infância, a adolescência...
a minha jornada, enfim...
Que acervo de experiência!
Mas que saudade de mim!...

14
Nada há que se me oponha...
nos rumos do dia-a-dia!
Travessia de quem sonha
não é qualquer travessia!...

15
A saudade não permite
nem que eu sonhe um novo amor...
Tua lembrança é um limite
que eu não consigo transpor!

16
Não tolham minha vontade,
mesmo em risco de fracasso...
Quero ter a liberdade
de errar por meu próprio passo!

17
Palmares foi destruído!...
Veloz, a notícia corre...
E morre o negro, vencido,
por mais um sonho que morre...

18
Lutando por ideais,
mesmo à beira da utopia,
tenho enfrentado os "jamais"
com meus "sempres" de ousadia!

19
A Terra vive conflitos,
sangrando, de guerra em guerra,
e é com voz branda... e, não, gritos...
que se há de ter Paz... na Terra!

20
Meu coração se acautela
e, imerso em desilusões,
faz da razão sentinela...
contra novas invasões!

21
Meus ideais mais risonhos
correm livres, sempre em frente,
numa corrente de sonhos,
que rompe qualquer corrente!

22
De seu saber não se gabe
nem ao saber seja mouco:
- Quanto mais a gente sabe,
mais sabe... que sabe pouco!

23
É cartomante e adivinha...
mas não lê, no meu semblante,
que eu sonho que seja minha...
justamente a cartomante!...

24
A lua, que nos clareia,
é diferente de quem,
recebendo luz alheia,
não ilumina ninguém!

25
Ela passa... e, com seus passos,
enfeitiça-me o bastante...
para eu sonhar, nos meus braços,
esse feitiço... ambulante!...

26
O saber... saber, de fato,
é silêncio de humildade...
que prefere o anonimato
aos ribombos da vaidade!

27
Dos meus tempos mais risonhos
descubro, agora, os segredos:
- Cabia um mundo de sonhos
no meu mundo de brinquedos!

28
Em toda seresta existe,
em meio às sonoridades,
o tom de um acorde triste...
que acorda velhas saudades!

29
A distâncias não limito
meus ideais, cheios de ânsias:
quem tem sonhos de infinito
não pode medir distâncias!

30
Floresta amiga, perdoa
o fogo, a serra, a agressão:
A Humanidade ainda é boa...
- Certos homens é que não...

31
Há tanta gente em delito,
cada vez com mais poder,
que a gente transforma em mito
quem cumpre um simples dever!...

32
Na tua ausência, meu fado
tornou-se eterna contenda:
corto os laços do passado,
mas a saudade os remenda!

33
É, talvez, o último abraço...
Vais partir... Apita o trem...
E o apito, cortando o espaço,
corta minha alma... também!

34
Fracassos não me consomem,
tropeços não me detém:
- É nas derrotas que um homem
revela a fibra que tem!

35
É quando o mar se encapela,
e a tempestade é constante...
que a Vida testa e revela
a fibra do navegante!...

36
Tantas lágrimas, no peito,
a Vida me fez guardar,
que agora, meio sem jeito,
já nem sei se sei chorar...

37
Sonhador, Poeta... e amante
de quanto a vida me dá,
que importa a Lua distante,
se os meus sonhos chegam lá?!...

38
Por sentir bem mais escasso
o tempo... e mais curta a vida,
agora... tudo que eu faço,
parece uma despedida!

39
Pura, meiga, olhar risonho...
Mais linda que outra qualquer!
Meu Deus! A mulher que eu sonho
é um sonho... Não é mulher!

40
Quem semeia o grão ferino
do mal que o mal faz crescer,
não vá culpar o Destino
quando a colheita doer!

41
Teu retrato colorido,
num sorriso meigo e franco,
torna menos dolorido
meu presente... em preto-e-branco!

42
Tão agredida e indefesa! -,
por não lhe ouvirmos a voz,
chora, agora, a Natureza...
Depois, choraremos nós!

43
Quando a dúvida transpira,
julgar é temeridade:
muitas vezes a mentira
veste as roupas da verdade!

44
As revoltas não têm fim
e explodem cada vez mais,
que a fome acende o estopim
das convulsões sociais!

45
Da ternura ao desvario...
Do desvario à ternura,
nosso amor vive no fio
da mais sublime loucura...

46
Cantando terno estribilho
e esquecendo que era escrava,
Mãe Preta aleitava o filho
de quem os seus açoitava!...

47
A Verdade anda tão rara,
que a Mentira, sorridente,
já nem sequer se mascara
para enganar tanta gente!

48
A tormenta, que atordoa,
não distingue, em mar bravio,
a humildade da canoa...
da soberba do navio!...

49
De amigo... não quer que eu passe,
e esse limite não venço...
Mas, quando a beijo na face,
é nos seus lábios que eu penso!...

50
A vida me presenteia
com tamanhas alegrias,
que a tristeza é um grão de areia
na ampulheta dos meus dias!

51
De muitas buscas se tece
a vida... e, ao fim da jornada,
a quanta gente parece
ter vindo em busca... do nada!...

52
Com sabor de penitência...
de brinde contra a vontade,
vou bebendo a tua ausência...
em meus porres de saudade!

53
Bendita a fonte escondida...
que escorre e, por onde passa,
trazendo a graça da vida,
dá tanta vida de graça!

54
Tua lembrança eu cultivo
e a ela, aflito, recorro...
Porque te espero é que vivo;
porque não vens é que morro!

55
Não grito... e julgo tolice            
o gritar.. sem mais nem quando:
tudo que a Vida me disse
de melhor... foi sussurrando!

56
Se um sonho logo termina,
ante a névoa que te assalta,
não é culpa da neblina...
mas de um sol, que ainda te falta!

57
Neste mundo de homens loucos,
pelo orgulho que os consome,
para a soberba de uns poucos...
milhares morrem de fome!

58
São quase uma eternidade
minhas noites de abandono,
porque em meu quarto a Saudade
se deita, mas não tem sono...

59
Na guerra, por seus horrores
e nefandos resultados,
não existem vencedores...
Somos todos derrotados!

60
Sei da magia e poder
do amor, que edifica impérios...
Mas não sei de algum saber
que lhe decifre os mistérios...

61
Nas trajetórias da vida,
dos sonhos aos desenganos,
dá-nos o orgulho a medida
da pequenez dos humanos!

62
Saudade - aquela torneira
que, apesar de bem fechada,
pinga e pinga... a noite inteira,
mantendo a insônia acordada!

63
Sem você, luto, em conflito,
contra o que a sorte me fez...
a ver se desfaço o mito
de só se amar uma vez!

64
Meus achados e perdidos
trazem de volta passados
que imaginava esquecidos
e, até, talvez... sepultados!

65
Cai na rua... Perde o tino,
no alcoolismo em que se esvai...
E, aos passantes... um menino
diz, inocente: - "É meu pai"...

66
Não tive infância risonha,
mas em meu peito ainda vive
um guri que brinca e sonha
com brinquedos que não tive!

67
Quanta gente, nesta vida,
prefere, de forma errada,
a mentira bem vestida
à verdade... esfarrapada!

68
Se sabes, deixa que brote
a mansidão do teu ser...
Quem do saber faz chicote
renega o próprio saber!

69
Por minha própria vontade,
por nosso amor, por quem és,
eu gozo da liberdade
de escravizar-me a teus pés!

70
Que importa chamem de insano
este amor que nos arrasta?...
Que ele seja até profano,
mas seja amor... que nos basta!

71
Na vida, por mais distantes
- e em mares tão desiguais! -
somos todos navegantes...
no rumo do mesmo cais!

72
Primeiras letras... o giz,
a "tia" de amor profundo...
E uma inocência, feliz,
começando a ler o mundo!

73
Queira entender, por favor,
minha expressão de ansiedade...
Quero falar-lhe é de amor,
meu amor... Não... de amizade!

74
São tão poucos os esforços
para amparar a pobreza,
que eu chego a sentir remorsos...
pelo pão em minha mesa!

75
Sineiro que não se cansa,
meu Passado, sem piedade,
tange os sinos da lembrança,
para acordar a Saudade...

76
Nos banquetes de primeira...
da vida, em sua grandeza,
se eu consigo uma cadeira,
não me dão lugar à mesa!

77
Se há espantalhos no caminho,
não fujo, buscando atalhos:
faço - ousado passarinho -
meus ninhos nos espantalhos!

78
No velho fogão de lenha
era o café bem torrado...
"Ah, saudade, não me venha
com aromas do passado!"

79
É triste rir para o mundo,
com ares de quem domina,
e, num desgosto profundo,
chorar, sozinho, em surdina...

80
Se há trevas por onde vais,
busca a luz, perseverante
e caminha um pouco mais,
que a luz pode estar adiante!

81
Descendo da serrania,
Menestrel, o vento entoa
uma canção que arrepia
a pele azul da lagoa...

82
Quando vejo as quedas d'água
das cascatas, penso em mim:
- Represando tanta mágoa,
um dia... despenco assim...

83
Ante a dor... não esmoreço,
sabendo, em meu caminhar,
que a Vida não cobra preço
que não se possa pagar!

84
Fim do amor... Desiludidos,
sabemos juntos, mas sós,
que há silêncios inibidos...
tentando falar por nós!

85
Uma certeza se abriga
no peito do sonhador:
- Há sempre uma praça antiga
na história de um velho amor!

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Conjunto 1º colocado no tema "Amor" em Nova Friburgo - 2009

86 Nosso amor, desde o começo,
tem tal alcance e medida,
que, quanto mais envelheço,
mais o sinto... além da vida!

87
O meu amor te ocultei!
Seguimos rumos diversos...
Passou-se o tempo, e, hoje, eu sei:
- permaneceste em meus versos!

88
Saudoso, namoro a Lua
e sinto, por seu feitiço,
que o nosso amor continua,
embora nem saibas disso!

89
Tenho um segredo profundo
- e é de amor... -e, tarde ou cedo, -
eu gostaria que o mundo
soubesse desse segredo!

90
Teu ciúme, cortando os laços
do nosso amor, me magoa...
mas meu amor abre os braços
e, por amor, te perdoa!

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91
Ah! Se esta brisa pudesse,
depois de tanger-me a lira,
levar-lhe, em forma de prece,
as trovas que ela me inspira!...

92
A cada triunfo, eu peço
às luzes de mais além...
que as luzes do meu sucesso
jamais ofusquem ninguém!

93
Por tudo que me tem dado,
pelo riso... pelo pranto...
- Destino, muito obrigado!
Nem sei se mereço tanto!

94
Tu me tiraste os pequenos
projetos de ser feliz...
- Devolve, Destino, ao menos,
esses rascunhos que eu fiz!

95
Nossas carícias, lembradas
ao longos dos meus caminhos,
comprovam que águas passadas
ainda movem moinhos!

96
As incisões da saudade
tanto minha alma rasgaram,
que, pelo profundidade,
nunca mais cicatrizaram!

97
Ante a recusa insistente
a um amor que eu tanto quis,
eu vi porque tanta gente
insiste... em ser infeliz!

98
Deixou-me assim, de repente...
E eu não sei... como ficar,
pois a saudade, insistente,
recusa-se a me deixar.

99
Disseste adeus... e, à partida,
vi meus sonhos, sem os teus,
perdendo o rumo da vida
na travessia do adeus!

100
De um modo bem singular,
há quem, nesta vida breve,
tenha audácia de cobrar
da vida... o que ela não deve!


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TROVAS  HUMORÍSTICAS

01
Vai pra feira, numa boa,          
com farta mercadoria...
enquanto, em casa, a patroa
atende outra freguesia...

02
Magriços, cheios de orgulho,      
vão casar-se, ossos saltando...
E eu imagino o barulho
de toda essa ossada... quando!...

03
Com seus dois metros e tal,        
a solteirona assegura
não ter casado, afinal,
por falta de homem à altura!

04
Pediu o bobó bem quente                
o turista distraído,
e a pimenta – mais ardente –
deixou seu bobó... ardido!

05
É bem mais que um pesadelo      
a minha sogra ‘querida”...
Ela é um fio de cabelo
na sopa da minha vida...

06
Trovadora, em solidão,              
fala do "Muso", abalada:
-"Mal me dava inspiração...
e, agora, não dá mais nada!!...

07
- Qual o tempo, por favor,             
do vôo Rio-Belgrado?...”
- Um minutinho, senhor...”
E o luso: - Muito obrigado!...

08
Que encrenca, junto ao jazigo,      
causa o defunto... esquentado:
- “Nada de tampa comigo,
que eu vou morrer... sufocado!”...

09
Alegava, após pilhado...              
pilhando uma residência:
- A casa é de um deputado...
Concorrência é concorrência!”

10
Diz que é truque da patroa,                  
que julga mestra em ardil:
há três anos em Lisboa,
e vai ser pai... no Brasil!

11
Com seu biquíni avançado
e uma carcaça esquelética,                          
é um verdadeiro atentado...
tanto ao verão... quanto à estética!

12
Vai pra pesca... apetrechado...                
Mas, sendo ao caniço avesso,
volta com peixe embalado,
etiquetado... e com preço!...

13
Na pesca, era o Chico Armando              
o maior ... pescava aos feixes...
até que o pesquei... pescando
num Entreposto de Peixes...

14
CURVA FECHADA - ele leu                       
na placa... e, em sua tolice,
parou o carro e desceu...
para esperar que ela abrisse...

15
Às vezes, cismando eu fico                  
e ideias assim me ocorrem:
- "Porco gordo e sogro rico
só dão lucro quando morrem"...

16
Cometeu esta tolice
aquela ciumenta crônica:                     
que o marido despedisse
a "secretária eletrônica"!

17
Eu lhe disse: “se eu passar
dos trinta, não casarei!”.
E ela: “enquanto eu não casar,            
dos “trinta” não passarei...”

18
O cafuné deles dois,
na rede, foi arretado...                              
E, nove meses depois,
batizou-se o resultado...

19
Deu fuzuê, acredite,                                  
com a filha do Aristeu,
quando a sua “apendicite”
com quatro quilos nasceu...

20
Faz-me rir certo vizinho:
a uma dona meio macha...
chamando-a "meu biscoitinho"
levou tremenda bolacha!...

21
Rugosa, feia, franzida...
Mas fez plástica a danada!
- Era uma bruxa encolhida...
Agora é bruxa esticada!

22
No quarto, a maior surpresa
é para a velha assanhada...
Traz, no escuro, a vela acesa
e vê, no velho, a apagada!

23
Desespero do tenor,
que já se sente gagá:
Pra noiva, cheia de amor,
só ergue a voz  - e olhe lá!

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Obs: Agradeço ao José Ouverney, do site http://www.falandodetrova.com.br, que disponibilizou todas essas trovas do nosso inolvidável Mestre João Freire Filho

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